A noite desta sexta-feira (27) foi marcada por emoção, reconhecimento e celebração da memória de uma das maiores personalidades da história do Piauí. A Academia Piauiense de Cultura (APC) realizou, no Museu do Homem Americano, em São Raimundo Nonato, o lançamento da segunda edição da Revista Peleja, que traz como tema de capa: “NIÈDE, A LENDA”, em homenagem póstuma à vida e à obra da arqueóloga Niède Guidon.

A solenidade reuniu autoridades, representantes culturais, pesquisadores e membros da comunidade, todos movidos pelo sentimento de gratidão ao legado deixado por Niède, cuja trajetória transformou definitivamente a história e o reconhecimento científico da região.
Reconhecimento e compromisso com o legado
O prefeito de São Raimundo Nonato, Rogério Castro, destacou em sua fala a importância da arqueóloga para o desenvolvimento do município e da região:
“Esse trabalho da APC só vem coroar o legado deixado pela Dra. Niède Guidon. Eu nem era nascido quando ela chegou por aqui, mas cresci acompanhando sua luta e seu trabalho incansável. Já como prefeito, tive o privilégio de encontrá-la e ouvi-la falar do amor que tinha por esta terra. Como gestor ou como cidadão são-raimundense, vou sempre buscar enaltecer seu nome e sua história. Estamos engajados e, juntamente com a equipe da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), criaremos o Memorial de Niède Guidon”, ressaltou o prefeito.
Uma vida de peleja, amor e visão de futuro
Emocionada, Rosa Trakalo, diretora dos Museus da Natureza e do Homem Americano, destacou que a vida de Niède se confunde com o próprio nome da revista:
“Sua vida aqui foi uma verdadeira peleja, mas sempre movida por amor e dedicação. Niède esteve à frente do seu tempo. Ainda no início de seus trabalhos, já projetava o que seria hoje o Parque Nacional Serra da Capivara e o desenvolvimento de São Raimundo Nonato. Muitos diziam que ela era brava, mas eu sempre a vi como justa, correta e profundamente comprometida com o que fazia”.
De sonho ousado a referência mundial
O presidente da APC, professor Manoel Domingos Neto, relembrou sua convivência com Niède, ainda nos tempos em que seus projetos pareciam ousados demais:
“Quando ela falava dos seus planos para a Serra da Capivara, eu mesmo dizia: ‘é louca’. Mas o tempo provou que ela era uma visionária, alguém que acreditava e lutava pelos seus ideais. Esse é o maior exemplo que Niède nos deixou: lutar pelos seus sonhos, acreditar e fazer acontecer.”
A segunda edição da Revista Peleja reafirma a importância de preservar e difundir a memória de uma mulher que elevou o nome de São Raimundo Nonato ao cenário nacional e internacional, consolidando o município como um dos mais importantes polos arqueológicos do mundo.













Comentários: