A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou no último dia (7), o “Dia da Cegonha Reborn” no calendário oficial da cidade. O projeto de lei foi aprovado em segunda votação e agora aguarda a sanção do prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ).
O PL é de autoria do vereador Vitor Hugo (MDB). Ele propôs que a data seja comemorada anualmente no dia 4 de setembro.
O parlamentar justifica que “o nascimento de um bebê é um momento singular na vida de uma mulher, e não é diferente para as mamães reborn, porém, os seus filhos são enviados por cegonhas, sendo esse o nome conferido às artesãs que customizam bonecas para se parecerem com bebês reais.”
O vereador destacou ainda que os bebês reborns são utilizados também para auxiliar no tratamento psicológico em casos de lutos e traumas.
“Os bebês realistas estão ganhando cada vez mais espaço, pois tornaram-se uma febre mundial. Surpreende, ainda, o fato de que no mundo dos bebês reborn, existe até maternidade e parto. Há ainda, relatos de casos em que são utilizados como terapia por Psicólogos, para o restabelecimento de lutos e outros traumas”, diz trecho do projeto de lei.
Comentando o fato:
Como se não bastasse o crescente fenômeno de mulheres que tratam os chamados “bebês reborns” como filhos reais — chegando ao ponto de buscar atendimentos médicos e jurídicos, realizar festas de aniversário e carregá-los por todo lado como se fossem seres vivos — agora vemos algo ainda mais preocupante: no Rio de Janeiro, vereadores se reúnem para aprovar um Projeto de Lei que legitima esse comportamento como se fosse algo normativo e saudável.
Segundo o autor da proposta, os bebês reborns estariam sendo utilizados em tratamentos de traumas e distúrbios emocionais, o que, sob um ponto de vista clínico muito específico, até poderia ser compreendido. No entanto, o que causa espanto é a extrapolação do uso terapêutico para uma adoção social e institucional desses bonecos, ignorando os riscos de aprofundamento de quadros psicóticos em vez de seu tratamento.
É preocupante ver representantes públicos validando, por meio da legislação, práticas que beiram a alienação da realidade. A adoção simbólica de bonecos como filhos, por mais que possa ter valor terapêutico em alguns casos isolados, não pode se tornar política pública nem ser normalizada como comportamento coletivo. A sensação é de que não apenas parte da população está imersa em um surto de desconexão com o real, mas que nossos legisladores estão seguindo o mesmo caminho. Será que também surtaram?
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