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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2025

Notícias/Cultura

Fotojornalista André Pessoa prepara novo livro e fala sobre os ataques sofridos

Já temos uma programação que inclui lançamentos em São Raimundo Nonato, Teresina, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo

Fotojornalista André Pessoa prepara novo livro e fala sobre os ataques sofridos
Fotos: André Pessoa
Imagens
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Um dos fotojornalistas mais conceituados no País, André Pessoa, 56 anos, prepara novo livro em que vai dedicar ao Parque Nacional Serra da Capivara, seu reduto memorável de imagens, e a arqueóloga Niède Guidon, que nos deixou em junho deste ano aos 92 anos. 

“Chegou a hora de dedicar um livro específico sobre a região da Serra da Capivara, principalmente após a partida da pesquisadora que colocou à região no mapa mundial da ciência. "Serra da Capivara - As descobertas e o legado de Niéde Guidon na Área Arqueológica de São Raimundo Nonato", disse André em entrevista ao Cidadeverde.com.

André, que tem uma vida dedicada a usar suas imagens para proteger a Caatinga e o meio ambiente, já conseguiu emplacar capas em grandes revistas nacionais. 

O fotojornalista e produtor cinematográfico falou também sobre novos projetos, os ataques que sofreu ano passado e os prejuízos para seu trabalho. 
 

O que você está trazendo no novo livro?

Depois de exatos 32 anos no Piauí, grande parte desse período trabalhando na Serra da Capivara, centenas de reportagens em jornais e revistas mundo afora, e diversos livros publicados - muitos deles sobre a natureza da Caatinga, ambiente que o estado possui a maior área preservada do planeta -, chegou a hora de dedicar um livro específico sobre a região da Serra da Capivara, principalmente após a partida da pesquisadora que colocou à região no mapa mundial da ciência. "Serra da Capivara - As descobertas e o legado de Niéde Guidon na Área Arqueológica de São Raimundo Nonato", é um livro de arte em grande formato, com 168 páginas, mais de 200 imagens - muitas delas exclusivas -, e uma dezena de colaboradores do Brasil e do exterior que conviveram ou acompanharam a dedicação dessa figura emblemática. São imagens das últimas três décadas das pesquisas arqueológicas, paleontológicas, biológicas, de paisagens desconhecidas, da cidade de São Raimundo Nonato e sua zona rural e, principalmente, das pinturas rupestres da região que levaram a Unesco a declarar o parque como Patrimônio Mundial.

Quando será o lançamento?

Já temos uma programação que inclui lançamentos em São Raimundo Nonato, Teresina, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, no entanto, a data desses eventos só deverá ser confirmada nos próximos meses, a depender do prazo de entrega do livro pela gráfica. Importante ressaltar que, através de uma ação da Prefeitura de São Raimundo Nonato, uma parte significativa dos volumes impressos deverão ser distribuídos gratuitamente nas unidades escolares das redes municipal, estadual e federal no município.

Como anda sua vida após os ataques que sofreu ano passado? 

Fui covardemente agredido e roubado na noite do dia 30 de setembro de 2024, ou seja, há mais de um ano. Levaram meu drone, meu iPhone e todos os acessórios. Foi uma situação complicada pois não foi apenas um crime comum, mas sobretudo um ataque à liberdade de imprensa. Eu estava de pauta, trabalhando, exercendo minha profissão quando tudo aconteceu. Muitas pessoas me perguntam: a Polícia Civil do Piauí tem um programa de sucesso de recuperação de aparelhos eletrônicos, eles não encontraram o seu celular? A resposta é, não. E explico. O que sofri foi um atentado político, uma forma de impedir o meu trabalho, e os acusados sabiam muito bem que o caso teria forte repercussão, como efetivamente teve. Então, eu imagino que o grupo político responsável pelo crime não tinha interesse nos equipamentos que devem ter sido destruídos naquela mesma noite para evitar o rastreamento e a consequente localização. 

Teve prejuízo de quanto?

Meu drone era um equipamento profissional que trouxe dos EUA, utilizado, inclusive, para gravações de imagens para cinema,  como foi o caso do filme Niède. Então, o prejuízo foi imenso, diria que superior aos R$ 30 mil levando em conta os acessórios e a lente sueca Hasselblad. Perdi também meu iPhone e, nesse caso, o maior prejuízo não foi financeiro, mas sobretudo privado pois perdi todos os documentos, acesso aos bancos e contatos pessoais, o que teve graves reflexos na minha sobrevivência nas semanas seguintes ao crime. 

Acionou a justiça?

No dia do crime fui para delegacia prestar depoimentos e fiz exame de corpo delito. A Polícia Civil de São Raimundo Nonato em parceria com uma equipe de Teresina, agiram rápido, conseguiriam as imagens da região do crime, fecharam o inquérito e apontaram os suspeitos. Ao receber o inquérito, o Ministério Público também procedeu de forma célere e eficiente, denunciando os acusados e pedindo uma busca e apreensão, o que terminou na apreensão de uma arma e drogas que estavam sendo produzidas no quintal da casa do principal acusado. No entanto, mesmo preso em flagrante, o criminoso foi posto em liberdade na audiência de custódia e, até hoje, o crime segue impune, sem nenhuma decisão condenatória. Sem essa decisão, não posso acionar a Justiça para ser indenizado pelos danos morais e materiais, e sigo, desde então, sem meus equipamentos, sem uma indenização e o pior, vendo o principal acusado livre como se não tivesse cometido nenhum crime e zombando da Justiça em função de sua ligação política. A impunidade é a maior dor que sinto, apesar das sequelas físicas e materiais. Saber que o autor do crime, mesmo preso em flagrante por outro crime, continua leve, livre e solto é uma afronta injustificável. 

Prejuízos de trabalho...

Sim, claro. Após o roubo, fiquei cerca de 6 meses sem trabalhar, sem meus contatos, sem os equipamentos que me permitiam sobreviver. 

Porque seu trabalho incomoda tanto? atribui a quê? 

A resposta é muito clara, no entanto, poucos irão entender. O meu trabalho incomoda muito pois, nesses 32 anos no Piauí, nunca tive emprego público, cargo político ou indicação de Assessoramento Superior, os chamados DAS. Com isso, sempre mantive minha independência, nunca estive atrelado a nenhum grupo político, sempre sobrevivi como repórter free-lancer e, sempre, na iniciativa privada. Sem essa "amarra", minha postura costuma ser crítica e contundente, como deve ser o bom jornalismo, e isso incomoda muita gente. 

Que projetos está desenvolvendo atualmente?

Além do novo livro que está na reta final, estou gravando imagens para um novo clip do Chico César numa música em homenagem à Caatinga, e tentando manter os projetos ambientais do Instituto Ecológico Caatinga (IEC), que nesse ano o projeto do viveiro de mudas nativas, Mata Branca, completou uma década de produção, plantio e distribuição gratuita de espécies nativas da Caatinga. Esse projeto é, para mim, uma espécie de retribuição e obrigação ética em função de tudo que o Piauí me proporcionou nas últimas três décadas.

 

FONTE/CRÉDITOS: Por Yala Sena
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