Esses registros, porém, não revelam em quem cada eleitor votou.
As urnas produzem, no total, três tipos distintos de arquivos. Um deles é o boletim de urna (BU), com o resultado da seção; outro é o Registro Digital do Voto (RDV), que armazena os votos sem apontar quem os deu; e o terceiro é o log, responsável por registrar como o equipamento operou.
Já no passo posterior, a totalização, junta-se o que foi apurado por todas as urnas do país e de fora dele, somando tudo até se chegar ao resultado final.
Falta de ônibus e chuvas motivaram os pedidos
Buscando ampliar o prazo para que o eleitorado conseguisse comparecer às urnas, as duas campanhas pediram a extensão do horário, e foi isso que o adiamento acolheu. No caso de Lula, o requerimento chegou ao TSE e igualmente ao STF, com a denúncia de falhas no transporte público em várias cidades.
A petição relata que os usuários de ônibus e de outros meios coletivos enfrentaram frota reduzida, esperas prolongadas e cobrança indevida de passagens.
Em São Paulo, de acordo com a campanha, apenas por volta de 60% da frota de ônibus estava em operação, apesar de a Justiça ter ordenado a disponibilização de todos os veículos (100%).
Problemas semelhantes no transporte também foram reportados em Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro.
Por sua vez, a campanha de Flávio solicitou ao TSE que a votação fosse prolongada por duas horas em cidades do Paraná, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e de Minas Gerais. Como justificativa, apontou chuvas intensas, enchentes e ausência de energia elétrica nas seções de votação.
Por volta das 17h, Zanin publicou a decisão que prorrogava a votação até as 19h em território nacional. Diante do fato de que muitas urnas já tinham sido encerradas, o ministro prestou um esclarecimento posterior: a determinação se aplicaria apenas às seções abertas naquele momento.
Em razão da medida, a apuração dos votos chegou a ficar suspensa, sendo retomada somente após as 19h.
Flávio contestou e presidente do TSE confirmou vitória de Lula
Ao falar pela primeira vez após o TSE ratificar que Lula havia vencido, Flávio Bolsonaro fez críticas à decisão de Zanin. Ele negou reconhecer o resultado e anunciou que acionaria a Justiça na tentativa de anular o pleito.
‘É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições’, afirmou o senador.
À frente do TSE, Kassio Nunes Marques confirmou o que saiu das urnas na disputa pela Presidência e relatou que telefonou aos dois candidatos assim que a contagem terminou.
Conforme detalhou, não havia como reabrir as urnas que já estavam encerradas, e, enquanto durou a interrupção, o tribunal impediu que os boletins fossem recebidos.
‘Como a decisão foi proferida após as 17h, milhares de urnas no Brasil já estavam encerradas e a sua programação impede a reabertura. Tivemos que promover o bloqueio do recebimento dos Boletins de Urna a fim de assegurar absoluta segurança que as informações nele constantes não fossem de conhecimento nem do próprio TSE’, declarou o presidente do tribunal.
Os obstáculos foram superados pela equipe técnica, que voltou a contabilizar os votos, conforme relatou Nunes Marques. Durante a fala, ele admitiu que Lula havia vencido e declarou confiar no processo eleitoral.
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